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domingo, 29 de janeiro de 2017

Estudantes criam farinha feita com baratas


Na falta de recursos suficientes para o consumo de carne, especialistas ligados a Organização das Nações Unidas (ONU) dizem que, ao longo dos anos, os insetos vão se tornar uma opção de alimento. Pensando no futuro, estudantes da Universidade Federal de Rio Grande (Furg), no Rio Grande do Sul, resolveram investir em uma pesquisa sobre o assunto. Os alunos encontraram a barata Cinérea, e produziram uma farinha com o inseto.

As baratas utilizadas na pesquisa são criadas na cidade de Betim, em Minas Gerais. “A gente compra eles de um criadouro de insetos, eles são criados de maneira asséptica, porque são vendidos na verdade para ração animal. Recebemos eles já desidratados, aí eles passam por uma série de etapas. Moemos eles em um moinho de bolas por um tempo predeterminado, depois peneiramos para conseguir diminuir a granulometria. Depois, então, com a farinha pronta, podemos adicionar em qualquer tipo de alimento, em pão, em bolo, em barrinhas de cereal”, detalha a engenheira química de alimentos Andressa Lucas sobre o processo.

O estudo mostrou que o uso da farinha pode trazer benefícios para o meio ambiente e também para saúde. “Como a ONU estima que até 2050 a população mundial vá crescer em até 9,2 bilhões de habitantes, não existe área de terra disponível para produzir todo o gado e para que tenha quantidade de proteína suficiente para necessidade populacional. Então os insetos, além deles ocuparem menos espaço e serem mais ecológicos, eles suprem essa falta de proteína” afirma a engenheira química de alimentos Lauren Monegon.

Enquanto um pão comum possui 9,68% de proteína e um integral tem 13,85%, um pão com apenas 10% da farinha de inseto tem quase 23% de proteína, conforme o estudo.

“No Brasil, nós não estamos tão acostumados a consumir insetos, mas os povos indígenas sim. Os índios consomem e em outros lugares consomem. Na África, por exemplo, na Ásia, América Central, como é o caso do México, se consome muitos insetos. Nós é que não temos essa cultura, então nos parece uma coisa um pouco diferente, temos uma certa resistência pra aceitar”, explica a professora Myrian Salas Mellado.



G1/RS

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