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quinta-feira, 27 de abril de 2017

Greve geral não derruba general

 | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Antigamente a esquerda dizia que “greve geral derruba general”. Não funcionou; os generais foram embora no tempo deles, da maneira deles. Mesmo assim, ela ainda continua com os mesmos sonhos de greve geral, desta vez para demonstrar saudades do Lula. O que já era uma coisa difícil de conseguir montar em 1970 hoje é um devaneio impossível. Pedir por uma greve geral é passar atestado de incompreensão da situação atual das relações de trabalho.
As grandes centrais sindicais têm cada vez menos poder sobre os trabalhadores, e a informalidade galopante faz com que trabalhadores sindicalizáveis sejam na prática uma minoria. Só o que se pode ter certeza de conseguir é atrapalhar bastante a vida das demais pessoas, as que foram trabalhar, com grupelhos fazendo quizumba e prejudicando o trânsito.
Greve é um direito, mas é um último recurso. Apelar para a greve quando não há necessidade – e no momento, convenhamos, saudades do Lula não constituem estado de necessidade – é diminuir o valor dela e fazer com que as relações de trabalho se tornem mais frágeis à toa. Por mais que se repita este discurso absurdo, não estamos nem em uma ditadura nem submetidos a um governo golpista; não mais que o de Itamar o foi, após o impeachment de Collor. Abusar do direito de greve para tentar passar adiante este estelionato político de maus perdedores é um ato que vai contra a cidadania e a civilidade, que andam em falta.
Já sabemos que poderemos esperar grupelhos de menos de uma dúzia de pessoas fechando avenidas nas capitais com ecologicíssimos pneus queimados; já sabemos que haverá aqui ou ali um quebra-quebra, provocações ao Batalhão de Choque na esperança de conseguir arrancar uma “repressão” midiática e demais armas da guerrinha de mídia que substitui grande parte da política de hoje. Só o que não teremos será uma greve geral daquelas que, nos sonhos mais fantasiosos da esquerda, teriam o condão de derrubar generais.
Os planos grandiloquentes da esquerda vêm soçobrando em toda a América Latina, graças ao despertar das populações. Até mesmo na Venezuela, onde conseguiram ir mais longe, instaurando uma ditadura prática, vêm ocorrendo protestos de rua em muito semelhantes aos que aqui derrubaram a Incompetenta. A diferença é só que lá a polícia é socialista e ataca os manifestantes. Fidel Castro finalmente partiu ao encontro de Chávez e Stalin, sem deixar sucessores reais em carisma ou poder. Os demais governantes do Foro de São Paulo estão todos às voltas com as deduragens da Odebrecht, que exibem a podridão por baixo da bandeira vermelha.
Neste contexto, chega a ser engraçado falar de greve geral. O som da expressão é nostálgico, remetendo a uma militância sonhada  em novelas globais.
Gazeta do Povo

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