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domingo, 5 de novembro de 2017

Filho de Jango, deposto pela ditadura, pode disputar a Presidência

O filho de João Goulart, conhecido como Jango, o presidente deposto pela ditadura militar em 1964, pode seguir os passos do pai e concorrer à Presidência em 2018. João Vicente Goulart, de 60 anos, que viveu no exílio no Uruguai com seu pai quando era criança, é filiado ao PPL (Partido Pátria Livre) e já foi deputado no Rio Grande do Sul. Gaúcho de São Borja, Jango morreu na Argentina, em 1976 – a família suspeita de envenenamento.
“Existe um movimento para isso [candidatura]. Seria positivo não apenas ir a reboque de outro partido, mas lançar um nome que pudesse a ajudar [a alavancar votos para superar a cláusula de barreira]. Existe essa cogitação, é isso que o partido está discutindo, debatendo. Os líderes regionais veem com muita possibilidade de ter um nome que possa puxar [votos] e atender à barreira eleitoral”, disse Goulart. Ele é presidente do Instituto João Goulart ao lado da mãe, a ex-primeira-dama Maria Thereza Goulart, e concorreu ao Prêmio Jabuti neste ano pelo livro “Jango e Eu – Memórias de um Exílio sem Volta”.
Goulart encara a candidatura como missão política, não tanto como desejo pessoal: “No exílio, a gente se acostuma não com as coisas que a gente gosta. O exílio, que nos impôs a ditadura, nos obriga permanecer cientes da luta. Missão partidária a gente não discute, a gente cumpre”. Para o presidenciável, as pautas do PPL são semelhantes àquelas defendidas pelo seu pai quando sofreu o golpe militar. “Uma sociedade não pode ser vista apenas pelos índices econômicos usados comercialmente, precisamos olhar o índice de desenvolvimento humano. Quero que o lucro esteja a serviço do bem-estar social. Não só o lucro pelo lucro, nossa plataforma é o lucro social”, explicou.
O filho de Jango não se vê como uma alternativa à esquerda, em um cenário em que a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de favorito nas pesquisas, segue incerta por causa de investigações por corrupção – ele já foi condenado a nove anos e meio de prisão em um processo da Lava Jato. “Não é questão de direita e de esquerda, nos dias de hoje, falamos em mercado financeiro ou humanismo. Esquerda e direita me lembra 1964, quando o mundo estava dividido em dois. Não tenho essa visão. É preciso um grande diálogo nacional e rever os índices de desenvolvimento humano. Evidentemente que nós temos o DNA do trabalhismo, não escondemos de ninguém. Em 2018 vamos ter pela frente uma grande discussão, que é perda dos direitos trabalhadores, que não foi uma conquista do PT, foi de Getúlio Vargas, de Jango e Leonel Brizola [todos os três ligados ao trabalhismo]. O que queremos é harmonia entre capital e trabalho”, disse.
O filho de Jango trocou o PDT pelo PPL neste ano depois que não recebeu apoio dos colegas da antiga sigla para barrar o cancelamento da construção do memorial ao seu pai no Distrito Federal (DF), onde vive. O memorial tem projeto de Oscar Niemeyer e foi cancelado pelo governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB).
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