quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

95% das crianças de até 11 anos já viram sexo explícito na web

Uma das críticas mais recorrentes à pornografia é a de que ela é uma das grandes responsáveis pela nossa relação falocêntrica e deturpada com o sexo.
Valorizamos o gozo masculino e colocamos o prazer e o orgasmo feminino em segundo plano, não damos a devida atenção ao consentimento como item essencial em toda e qualquer relação. Crescemos consumindo filmes com visões exclusivamente masculinas, com atores e atrizes cuja performance não se conecta à forma como nossos corpos se comportam na vida real. Não respeitamos o desejo do outro.
Mas é, ou já foi, responsabilidade da pornografia a nossa educação sexual?
Conversei com mais de 1.000 pais e mães e perguntei se eles acompanham o acesso de seus filhos à internet. O resultado foi:
Ou seja, apenas 24% dos pais realmente monitoram o acesso à internet de seus filhos.

76% acreditam que isso não é tão necessário assim.
O grande problema pode não ser a pronografia
Um estudo publicado pela empresa BitDefender revela que 95% das crianças com até 11 anos já acessaram conteúdo sexualmente explícito na internet.
Segundo a Irish Society for the Prevention of Cruelty to Children (ISPCC), 50% das crianças passam cerca de 1 a 3h por dia utilizando a internet sem nenhuma supervisão, boa parte delas em computadores e outros aparelhos acessados de seus quartos.
Considerando que as crianças têm acesso cada vez mais cedo à internet e estão a apenas alguns cliques de distância de conteúdo relacionado à violência, sexo e tantos outros assuntos delicados até para adultos, será que é adequado dizer que o grande problema é a pornografia?
E você, tem monitorado o que seu filho acessa?
Não ignoro ou relativizo os diversos problemas relacionados ao mercado adulto, às produções mainstream de pornografia e a nossa difícil relação com a sexualidade de forma geral. Mas é igualmente necessário olhar para dentro das nossas casas e refletir sobre a importância de assumirmos o papel na formação dessas novas pessoinhas.
Eu, que trabalho com pornografia, não gostaria que esse fosse o primeiro contato de alguém com o sexo. Não posso medir as consequências disso e me responsabilizar por algo assim.
UOL via Blog Mayumi Sato

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