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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Todos os bispos chilenos pedem demissão por escândalo de pedofilia

Todos os bispos chilenos apresentaram nesta sexta-feira (18) em Roma um pedido de demissão coletiva de seus cargos em resposta ao escândalo de pedofilia que atinge a Igreja Católica no país.
O Vaticano não divulgou ainda se o papa Francisco aceitou o pedido. Ele pode confirmar a demissão, recusá-la ou decidir individualmente sobre cada um.
“Nós colocamos nossa posição na mão do santo padre e cabe a ele decidir livremente sobre cada um de nós”, diz um comunicado assinado pelos 34 bispos do país —sendo 31 em atividade e três eméritos.
Uma investigação do Vaticano, divulgada parcialmente nesta sexta, afirmou que a cúpula da igreja chilena é responsável por “graves erros” no modo como lidou com os casos de pedofilia. Por isso, os bispos já estavam em Roma para uma audiência convocada pelo papa Francisco sobre o caso.
Eles são acusados de queimar documentos, ignorar denúncias e negligenciar vítimas, diz o documento de dez páginas, que teve parte de seu conteúdo divulgado pela imprensa chilena e depois confirmado pelo Vaticano.
“Ninguém pode se eximir de culpa e colocar seu problema nos ombros de outros”, diz o documento, que foi escrito pelo próprio Francisco a partir de uma investigação de 2.300 páginas feita a pedido do Vaticano por dois especialistas no combate a crimes sexuais.
“Os problemas dentro da comunidade católica não serão resolvidos apenas lidando com casos individuais e os reduzindo ao afastamento de pessoas, apesar disso —e vou deixar claro— também ser necessário”, escreveu o pontífice. “Mas não é suficiente, teremos que ir além. Seria irresponsável de nós não olharmos profundamente para nossas raízes e estruturas que permitiram que esses eventos ocorressem e se perpetuassem”.
Os bispos chilenos afirmaram que as conclusões do documento mostraram um comportamento “absolutamente deplorável” e “abuso de poder e de consciência inaceitável”. Eles pediram desculpas às vítimas, ao papa e a todos os católicos e se comprometeram a trabalhar para reparar o dano causado.
Francisco se disse “perplexo e envergonhado” com as descobertas e disse que o problema não está limitado a um grupo de pessoas, mas que decorre do treinamento que os religiosos recebem nos seminários.
De acordo com ele, a investigação mostrou “graves problemas” no modo como os casos de abusos eram conduzidos, com investigações superficiais, mesmo em casos em que existiam fortes indícios de crimes. O resultado, disse ele, “criava um escândalo para todos que denunciavam e para quem conhecia as vítimas”.
Em outros casos, segundo o pontífice, os bispos e os líderes de ordens religiosas foram negligentes e incapazes de proteger as crianças dos pedófilos.
O documento mostra que padres acusados eram expulsos das congregações por conduta imoral, mas tinham “a absoluta gravidade de seus atos criminosos minimizadas, atribuídas a meras fraquezas ou lapsos morais”. Mas depois, disse Francisco, essas mesmas pessoas “eram recebidas de braços abertos em outras dioceses, de maneira evidentemente imprudente, e recebiam funções paroquiais nas quais tinham contato com crianças”.
Assim, o comportamento da igreja chilena espelha o que ocorreu em outros países que foram atingidos por casos de pedofilia contra padres. Em diversas ocasiões, o acusado do crime acabava apenas transferido de local, mas a denúncia não era investigada e as autoridades não eram informadas.
ESCÂNDALO
O escândalo de pedofilia no Chile abalou o apoio à igreja no país e atingiu a imagem do próprio papa. A polêmica começou em 2015, quando o pontífice decidiu nomear como bispo o religioso Juan Barros, apesar de acusações de que ele teria ajudado a acobertar casos de abusos sexuais contra crianças cometidos por seu mentor, o padre Fernando Karadima —os dois negam as acusações.
Durante uma visita ao Chile no ano passado, Francisco chegou a fazer uma defesa de Barros e a criticar as vítimas do padre, mas depois voltou atrás e pediu desculpas.
Em seguida, ele deu a ordem para o início da investigação, que acabou ampliando o escopo para além do caso de Karadima e culminou no documento divulgado nesta sexta, que levou à demissão coletiva da cúpula chilena.
Folha de SP, com REUTERS e ASSOCIATED PRESS



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